DECLARAÇÃO DE SALAMANCA Sobre Princípios, Políticas e
Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais Reconvocando as várias
declarações das Nações Unidas que culminaram no documento das Nações Unidas
"Regras Padrões sobre Equalização de Oportunidades para Pessoas com
Deficiências", o qual demanda que os Estados assegurem que a educação de
pessoas com deficiências seja parte integrante do sistema educacional. Notando
com satisfação um incremento no envolvimento de governos, grupos de advocacia,
comunidades e pais, e em particular de organizações de pessoas com
deficiências, na busca pela melhoria do acesso à educação para a maioria
daqueles cujas necessidades especiais ainda se encontram desprovidas; e
reconhecendo como evidência para tal envolvimento a participação ativa do alto
nível de representantes e de vários governos, agências especializadas, e
organizações inter-governamentais naquela Conferência Mundial. 1. Nós, os
delegados da Conferência Mundial de Educação Especial, representando 88
governos e 25 organizações internacionais em assembléia aqui em Salamanca,
Espanha, entre 7 e 10 de junho de 1994, reafirmamos o nosso compromisso para
com a Educação para Todos, reconhecendo a necessidade e urgência do
providenciamento de educação para as crianças, jovens e adultos com
necessidades educacionais especiais dentro do sistema regular de ensino e
re-endossamos a Estrutura de Ação em Educação Especial, em que, pelo espírito
de cujas provisões e recomendações governo e organizações sejam guiados. 2.
Acreditamos e Proclamamos que: • toda criança tem direito fundamental à
educação, e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível adequado
de aprendizagem, • toda criança possui características, interesses, habilidades
e necessidades de aprendizagem que são únicas, • sistemas educacionais deveriam
ser designados e programas educacionais deveriam ser implementados no sentido
de se levar em conta a vasta diversidade de tais características e
necessidades, • aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter
acesso à escola regular, que deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia
centrada na criança, capaz de satisfazer a tais necessidades, • escolas
regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais
eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades
acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para todos;
além disso, tais escolas provêem uma educação efetiva à maioria das crianças e
aprimoram a eficiência e, em última instância, o custo da eficácia de todo o
sistema educacional. 3. Nós congregamos todos os governos e demandamos que
eles: • atribuam a mais alta prioridade política e financeira ao aprimoramento
de seus sistemas educacionais no sentido de se tornarem aptos a incluírem todas
as crianças, independentemente de suas diferenças ou dificuldades individuais.
• adotem o princípio de educação inclusiva em forma de lei ou de política,
matriculando todas as crianças em escolas regulares, a menos que existam fortes
razões para agir de outra forma. • desenvolvam projetos de demonstração e
encorajem intercâmbios em países que possuam experiências de escolarização
inclusiva. • estabeleçam mecanismos participatórios e descentralizados para
planejamento, revisão e avaliação de provisão educacional para crianças e
adultos com necessidades educacionais especiais. • encorajem e facilitem a
participação de pais, comunidades e organizações de pessoas portadoras de
deficiências nos processos de planejamento e tomada de decisão concernentes à
provisão de serviços para necessidades educacionais especiais. • invistam
maiores esforços em estratégias de identificação e intervenção precoces, bem
como nos aspectos vocacionais da educação inclusiva. • garantam que, no
contexto de uma mudança sistêmica, programas de treinamento de professores,
tanto em serviço como durante a formação, incluam a provisão de educação especial
dentro das escolas inclusivas. 4. Nós também congregamos a comunidade
internacional; em particular, nós congregamos: - governos com programas de
cooperação internacional, agências financiadoras internacionais, especialmente
as responsáveis pela Conferência Mundial em Educação para Todos, UNESCO,
UNICEF, UNDP e o Banco Mundial: • a endossar a perspectiva de escolarização
inclusiva e apoiar o desenvolvimento da educação especial como parte integrante
de todos os programas educacionais; • As Nações Unidas e suas agências
especializadas, em particular a ILO, WHO, UNESCO e UNICEF: • a reforçar seus
estímulos de cooperação técnica, bem como reforçar suas cooperações e redes de
trabalho para um apoio mais eficaz à já expandida e integrada provisão em
educação especial; • organizações não-governamentais envolvidas na programação
e entrega de serviço nos países; • a reforçar sua colaboração com as entidades
oficiais nacionais e intensificar o envolvimento crescente delas no
planejamento, implementação e avaliação de provisão em educação especial que
seja inclusiva; • UNESCO, enquanto a agência educacional das Nações Unidas; • a
assegurar que educação especial faça parte de toda discussão que lide com
educação para todos em vários foros; • a mobilizar o apoio de organizações dos
profissionais de ensino em questões relativas ao aprimoramento do treinamento
de professores no que diz respeito a necessidade educacionais especiais. • a
estimular a comunidade acadêmica no sentido de fortalecer pesquisa, redes de
trabalho e o estabelecimento de centros regionais de informação e documentação
e da mesma forma, a servir de exemplo em tais atividades e na disseminação dos
resultados específicos e dos progressos alcançados em cada país no sentido de
realizar o que almeja a presente Declaração. • a mobilizar FUNDOS através da
criação (dentro de seu próximo Planejamento a Médio Prazo. 1996-2000) de um
programa extensivo de escolas inclusivas e programas de apoio comunitário, que
permitiriam o lançamento de projetos-piloto que demonstrassem novas formas de
disseminação e o desenvolvimento de indicadores de necessidade e de provisão de
educação especial. 5. Por último, expressamos nosso caloroso reconhecimento ao
governo da Espanha e à UNESCO pela organização da Conferência e demandamo-lhes
realizarem todos os esforços no sentido de trazer esta Declaração e sua
relativa Estrutura de Ação da comunidade mundial, especialmente em eventos
importantes tais como o Tratado Mundial de Desenvolvimento Social ( em
Kopenhagen, em 1995) e a Conferência Mundial sobre a Mulher (em Beijing, e,
1995). Adotada por aclamação na cidade de Salamanca, Espanha, neste décimo dia
de junho de 1994.
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